A aspergilose é uma doença infecciosa frequente nas aves de companhia, provocada por fungos que comprometem a função respiratória e podem eventualmente causar a morte do pássaro. É provocada por fungos (Aspergillus), do qual o mais comum é o Aspergillus fumigatus, que se desenvolve quando a ave inala ou ingere os esporos do fungo. Uma ave só consegue tolerar uma certa quantidade de esporos, antes que a doença se desenvolva.
A contaminação ocorre normalmente na eclosão dos ovos, nos ninhos e granjas. Para evitar este quadro clínico preocupante, deve manter-se a gaiola do pássaro bem higienizada (com ventilação e iluminação suficientes) e guardar o saco da ração num ambiente sem humidade.
Stress, técnicas deficientes de manejo, irritantes respiratórios e características fisiológicas do animal também podem contribuir para o aparecimento da aspergilose. Papagaios cinzentos africanos, aves de rapina, papagaios sul americanos e aves aquáticos são os mais atacados por esta doença.
A infecção pode ser de dois tipos: sistémica ou localizada. Inicialmente, é comum ser localizada, por exemplo no trato respiratório inferior. Progressivamente, vai afectando outras áreas, como a siriginge (faringe inferior na extremidade inferior da traqueia), sacos aéreos torácicos caudais e abdominais. Manifesta-se por duas formas: respiratória ou ocular. A nível cutâneo, verifica-se a queda de penas, que se quebram muito facilmente.
No caso da aspergilose respiratória, os sintomas são semelhantes a outras doenças de foro semelhante. Ocorre pela presença do fungo nos pulmões e sacos áreos e formação de nódulos das narinas. A aspergilose ocular é mais rara que a primeira e manifesta-se por irritação num olho (que fica lamejante e fechado muitas vezes). De seguida, pequenos pontos brancos formam uma massa branca, esponjosa e dura sobre a córnea, levando à perda de visão do pássaro. A cura, neste caso, é muito díficil.
A siringe estreita das aves favorece o bloqueio dos canais respiratório e o alojamento de esporos, cujo tempo de incubação depende da anatomia da ave e a exposição aos agentes agressores. Outras áreas em risco de serem afectadas incluem a pele, os músculos, aparelho gastro intestinal, fígado, rins, cérebro e olhos.
Os sintomas incluem dispneia (falta de ar), perda de peso acentuada, abertura frequente do bico, respiração ruidosa e alterações vocais e na urina, com paralesia e enfraquecimento gradual do pássaro. Se a condição persistir sem ser tratada, ocorrem danos graves, como a destruição do osso e bico e a ave morre num curto espaço de tempo.
O diagnóstico de aspergilose é feito a partir de sinais clínicos, do histórico do animal e de exames físicos (hematologia, radiologia, endoscopia ou cirugia exploratória). Esta condição deve ser identificada o mais atempadamente possível, para melhorar as hipóteses de sobrevivência da ave.
Os tratamentos existentes ainda não são plenamente satisfatórios, sendo comum usar idiodeto de potássio na água, anfoterecina e nistatina.
A prevenção através de uma higiene rigorosa continua a ser a melhor aposta para que o seu amigo com penas não padeça desta enfermidade preocupante.
Paula Gouveia









